sexta-feira, 6 de maio de 2011

Meu bem

Algumas coisas você até tenta evitar que aconteçam. Outras te atropelam.

Era uma quarta feira de cinzas. Aqueles olhos cor de oceano, que se olhar direito enxerga até alguns barquinhos, focaram em outros que de tão tristes não tinham forças para ficar abertos por muito tempo. O toque das mãos fez tremer dois pares de joelhos.

Aquele pé que encheu de bolha dormiu feliz. Aquela língua sabor doce de leite queria mais sorvete. Aquele sorriso não queri a se despedir. Aqueles outros pés não queriam ir embora.

Ainda bem que foram.

Melhor ainda, quando voltaram.

Dei licença para colo. Autorizei abraço. Bati carimbo para beijo. Burocracia sentimental, das mais bobas, que eu achava necessária.

Notícia do dia: coração não conhece medo e se joga da ponte.



terça-feira, 3 de maio de 2011

Coração

"Parabéns! Você acaba de ganhar o coração do Léo com direito a todos os mimos e beijocas, para sempre! Para retirar o prêmio é só falar SIM quando ele se ajoelhar e pedir sua mão em casamento!"

Tem como não amar?

"Sweet Home Alabama - 2002"

sexta-feira, 29 de abril de 2011

Bullying

Todo mundo diz que já sofreu.

Quem admite que já cometeu?

quinta-feira, 28 de abril de 2011

Bróder

Entre os dias 26 e 28 de abril (anteontem, ontem e hoje), rola o Youpix, um encontro de gente que faz a internet e faz parte da internet. Eu, particularmente, gostava mais de ir no evento num lugar pequeno e conhecer todo mundo, mas porque eu sou egoísta e adoro gente puxando meu saco - quem não gosta fecha o navegador e vai tricotar. Claro que eu fico feliz - mais pela Bia Granja - do evento ter crescido tanto e, nessa edição, ser no Porão das Artes no Ibirapuera e ter pessoas famosas como o Rafinha Bastos.

Famosas?

Eu vi uma tietagem ou outra por lá em cima do cara. Todo mundo quer ser bróder, quer tirar foto, quer contar uma piada que acha super engraçada (dica: ele não quer ouvir), mas não é aquela coisa beatlemaníaca que eu imaginei que seria. Até não muito tempo atrás, quem aparecia na televisão era, para os pobres mortais, alguém num patamar superior porque "oh, ele é famoso!". Hoje você dismitifica o cara que aparece na TV - ele é famoso porque o Brasil inteiro conhece a cara dele, mas ele não é mais inacessível, ele não está mais acima do bem e do mal, ele até te manda reply no Twitter se você mandar alguma coisa que vale a pena (se não respondeu no terceiro só leia e pare de insistir).

Procurei uma foto do Rafinha no Youpix pra colocar aqui, mas não achei. Todos chora.


A nossa geração matou o "famoso" e criou as "subcelebridades", matou o "cara da TV" e criou o "cara normal" - e isso é ótimo. É bom ter os homens e mulheres da TV como "exemplo" (entre aspas porque Flora não é pra ser seguida), mas eles não precisam mais ser as pessoas que ditam a moda (beijo pro Clone), não precisam mais ser as pessoas que ditam comportamentos (o Mocotó tá gordo, de cabelo curto e ataca de DJ) e, principalmente, não precisam mais influenciar na personalidade das pessoas (Viúva Porcina me despreza)...

Tolinha.
No final, eu fiquei feliz do pessoal tirar fotos com o Rafinha Bastos e eu, no alto da minha relevância, poder ver isso e achar fofo. Um fato? Eu prefiro mesmo não ter a responsabilidade de estar no lugar dele...


quinta-feira, 14 de abril de 2011

I'm still alive

Eu comecei mesmo a gostar de Pearl Jam por conta de uma prima minha que tinha todas as músicas gravadas. Gostava de Black, naquela parte que dizia "I know someday you'll have a beautiful life, I know you'll be a star in somebody else sky, why can't it be mine?", mas a música que Eddie Vedder gritou e que mais me marcou foi Alive.

A letra da música, em si, não tem nada de especial (e música é como gosto, cada um interpreta de um jeito), mas o refrão é forte demais. I'm still alive, eu continuo vivo.

Viver não é difícil a princípio, quando você sabe que a sua grande responsabilidade é tirar boas notas na escola, comer seus vegetais e lavar direitinho atrás da orelha. Só que dura pouco, porque a pressão começa a crescer, você precisa acordar cedo pra ir para a escola, precisa passar no vestibular, precisa arrumar um bom emprego, precisa de alguém pra compartilhar seus momentos, precisa planejar sua próxima festa de aniversário, precisa casar, precisa ter filhos... Quando você se dá conta, como eu tenho me dado agora, uau, como é difícil viver. Se manter vivo é fácil, viver mesmo, aproveitar o dia, o final de semana, a hora do almoço, isso sim é muito difícil...

Quando pequenos somos levados a acreditar em uma vida ideal. Nossos pais não nos deixam escolher demais e reclamam se bebemos coca cola no café da manhã. Você cresce e escolhe comer cheetos no café da manhã, você usa o seu tempo livre pra ver TV e ficar na internet, você deixa de respirar pra poder ficar no conforto estofado do seu carro... E tudo isso por quê?! Eu não sei. Eu não sei porque algumas pessoas se esforçam tanto sabendo que não vão chegar a lugar nenhum, eu só sei que sou uma dessas pessoas que lutam, que choram, que batalham, que arriscam e mesmo sabendo que eu vou chegar no mesmo lugar em que todo mundo vai chegar um dia, eu fico feliz. Feliz porque eu ainda estou viva.



quarta-feira, 23 de março de 2011

Ciúme

Confiar não é necessariamente a fórmula para não sentir ciúme. Você confia numa pessoa, totalmente, mas ainda assim não consegue ver ela conversar com alguém (alguém X geralmente) sem sentir um aperto idiota no peito, que você sabe que é desnecessário, que você sabe que é babaca, mas que ainda assim está ali.

Eu entendo o ciúme, mesmo não sentindo muito ciúme.

O que não entendo é como as pessoas podem sentir algo no peito que incomoda e, ainda assim, ficarem quietas. Abaixar a cabeça para seus sentimentos é a coisa mais idiota que você pode fazer, porque quando tudo começar a ficar mais difícil de segurar você vai soltar as coisas mais estúpidas todas de uma vez, vai vomitar tudo de ruim que você guardou na pessoa que, naquele momento, não precisa ouvir tudo isso.

Eu acredito que a base de todos os bons relacionamentos seja a sinceridade. Ok, a capacidade de construir uma rotina e ainda assim suportar o outro é importante, mas avisar isso pra ele é muito mais... Meu pai sempre teve ciúme da minha mãe, a ponto de ela ter me contado escondidinha sobre o outro "possível namorado" que ela teve na adolescência. Meu pai sempre teve ciúmes de mim, do meu sobrinho e da minha irmã, mas ele nunca falou, só dá pra ver nos olhos dele. Nesse caso, não é porque ele fica suprimindo isso, é porque ele sabe que vai passar, que é só momentâneo, que ele não precisa guardar o ruim disso no peito, só a parte boa. Sim, até o ciúme tem uma parte boa: quando você olha pra cara da outra pessoa e percebe que ela jamais faria aquilo com você.


segunda-feira, 21 de março de 2011

Canção

Você não escolhe quando vai gostar de alguém de verdade, mas é uma escolha só sua ser feliz.

Hoje eu queria escrever uma canção para você e colocar nela tudo que eu guardo dentro do peito, por mais que isso me deixe exposta, em carne viva, viva... Eu queria cantar alto, pra todo mundo ouvir, queria berrar e atrapalhar o sono de todo mundo, queria mostrar o quanto essa música é importante e o quanto me faz sorrir.

Eu queria poder mudar o mundo, mudar as pessoas, fazer com que me ouvissem e, uau, essa canção é a melhor maneira de fazer isso! Você entende a dimensão da inspiração? Entenda o tamanho da felicidade? Entende o aperto no peito que a distância mínima trás?

Meu mundo gira por você. Minha cabeça pensa em você. Meus pés caminham para você. Eu não sei se é sorte, se é destino ou se é mera coincidência. Eu só sei que hoje, agora, eu quero escrever uma canção para você.


quinta-feira, 17 de março de 2011

Holiday

Deixá-la em casa naquele dia o tinha torturado. Sua cabeça era uma confusão de pensamentos, mas sentia que aquela garota que o fez rir era especial. Só conseguia pensar em como era bom estar perto dela e como a desejava mais e mais e mais ao longo do dia. Não admite, mas está apaixonado.

Vê-lo indo embora a incomodou. O coração pulsava enquanto, assustada, tentava fugir do que quer que fosse aquele sentimento enorme, viral, que tomava conta de todo o seu corpo, que inflamava a necessidade de vê-lo novamente, de senti-lo novamente, de apaixonar-se incondicionalmente por ele.

No dia seguinte, entre os mais tórridos beijos e os mais sinceros abraços, Ela baixou a guarda, conferiu a Ele uma chave mestra que abria todas as portas do seu consciente para o que viria. Ele, por sua vez, entregou a Ela, numa caixinha dourada, seu Coração. Ele sabia o quanto seria difícil chegar ao dela, mas dela ter se disposto a dar a chave que abriria as portas para isso, uau, tinham um grande avanço.

Naquele dia, Ele descobriu que é Ela. Naquele dia, Ela já desconfiava que é Ele.


quarta-feira, 16 de março de 2011

Date II

O lugar em meia luz não parecia tão bom até o pedido chegar.

Ela olhava nos olhos, se impôs, mostrou suas opiniões e falou e falou e falou. Ele, tímido, escutou e depois contou suas histórias. Eram parecidos demais. Ela sentiu um calafrio quando a mão Dele finalmente tocou a Sua, não queria mas o coração disparou sozinho, não podia demonstrar mas percebeu que a mesma mão, agora, deu uma tremida. Ele precisava ter ela por perto, sentia que precisava dela, mas não poderia demonstrar, a guarda era alta e depois de tanto se machucar, você torna mais difícil a entrada desses pensamentos em sua cabeça, mas Ele não conseguia segurar, Ela invadiu cada milímetro da sua cabeça.

Ele adora sorvete, Ela gosta de sobremesa e nessa cidade enorme deveria ser mais fácil encontrar a solução. Caminharam falando sobre como encaravam relacionamentos. Bobinhos. Ela tem tanto medo do que sente que teme entrar em pânico e sair correndo a qualquer minuto. Ele não sabe mais lidar com o que sente. Os Dois se olham novamente e, como num movimento mecânico, aquele primeiro beijo deveria mesmo acontecer.


terça-feira, 15 de março de 2011

Date

O tempo ameno do outono já começava a tingir o chão de folhas secas quando Ela recebeu um e-mail. Não imaginava que algo tão simples poderia mudar sua vida, então respondeu como achava apropriado e então estava marcado o encontro. Não sabia o que viria e o que pensar, mas sentiu aquele frio na barriga característico de uma aventura nova, todo corpo e alma não passam disso para Ela.

Ele ouvira falar daquela menina com entusiasmo, sabia que a carne nova lhe faria bem e decidiu investir. Mandou um e-mail que teve uma resposta tão simples quanto engraçada. Sorriu. Teria que correr contra o tempo para encontrá-la, mas valeria a pena pelo que viria depois. Ele só não sabia o quanto.

Encontraram-se naquela escada e o crepúsculo já avançava, a metrópole se acendia, mas a única luz que Ele via era a dos olhos Dela. Orgulho não o deixaria falar que havia borboletas em seu estômago. Ela desconfiava de que era pegadinha do Faustão. Corria os olhos pela multidão procurando explicação para a emoção que a deixava a ponto de chorar.

Partiram então para a aventura Dela, com o entusiasmo Dele e as consequências que nenhum dos dois babacas previram.

Pequena Miss Sunshine