terça-feira, 25 de janeiro de 2011

Decisões

Quando você é criança e vê os adultos brigando, não se dá conta do quanto aquilo é necessário. Cada discussão terminada em sorvete de chocolate, bico e um sorriso amarelo é essencial para que o ser, como humano, saiba tomar importantes decisões para que você, pequeno ser, seja feliz no futuro.

Isso posto, tive que encarar pela primeira vez em toda a minha vida de Quase Adulta, uma dessas discussões. E foi com a pessoa que eu menos gostaria: meu Pai.

Conversar sobre pagar o próprio aluguel, comprar a própria cama, lavar as próprias roupas e - o campeão de medo de 11 em cada 10 pais - cozinhar foi muito mais difícil do que eu imaginava, não por ser a segunda dessas discussões, mas por meu pai ainda não querer que eu seja independente. Ainda mais que ele completou 72 anos e a última coisa que ele queria é ver a filha dele debandar de vez...

Família a gente não escolhe - ainda bem, porque eu tenho dedo podre - mas a gente tem que saber a hora de deixar que a família se vire um pouco sozinha, por mais que isso seja  dolorido e que saibamos o quanto pode nos magoar.

Quando tomei a decisão de ser independente, de ser quem eu sempre fui e tinha escondido na caixinha de música porque tinha vergonha, de dar a cara a tapa e de me tornar melhor, eu não sabia que seria tão difícil, mas eu fui lá e fiz.

Se eu, que tinha milhões de segredos embaixo do travesseiro consegui, qualquer um pode, só falta mesmo tentar.

Um comentário:

Silvia Azevedo disse...

É especialmente difícil para os pais deixarem os filhos voarem livres por aí. Sempre preferem que estejamos debaixo de suas asas protetoras... Faz parte!

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