segunda-feira, 29 de novembro de 2010

Eu, Harry Potter e pequenas lições sobre o amor

Quando eu tinha uns 11 anos tive meu primeiro contato com um livro do Harry Potter. Foi uma menina que me emprestou, ela me via batendo a cabeça lendo Machado de Assis - que, convenhamos, é bem difícil pra uma criança - e achou que talvez eu fosse gostar. Como a literatura era bem mais leve e com termos que eram fáceis de entender, devorei os dois primeiros livros em uma semana.

Eu também já fui pequenininha assim...


Harry Potter não é a história de um menino humano que vira bruxo e coisas extraordinárias acontecem. Isso é o que as pessoas que nunca leram devem achar de que se trata. Harry Potter é muito mais confuso e complexo, por isso que ler na minha pré e durante a adolescência, percebi um monte de coisas.

Quando Harry era novinho e Hagrid apareceu pra levar ele pra Hogwarts, um mundo de descobertas desdobrou-se a sua frente. Um menino que era desprezado pelos tios, de repente, tinha um propósito. O que no começo era curiosidade infantil, aos poucos, se transformou em arrogância e, no final, em sabedoria. Ver Harry crescer e crescer junto com ele, compartilhando experiências simples ou o simples desejo de uma "aventura". Eu lia um capítulo antes de dormir e sonhava que estava lá, junto com ele e hoje vejo que não era só pela fantasia, era também pela amizade. Eu não sei ter amigos, até hoje... Confesso que tudo que eu mais queria era parar com essa mania de afastar as pessoas de mim ou de sumir por tempo indeterminado. Foi com os livros de Harry Potter, principalmente com o último, que por acaso só li recentemente, que percebi que as coisas "são" o valor que damos para elas. Se damos muito valor, elas serão valiosas, por isso é importante dar valor apenas ao que realmente importa. Liberdade é triste se não temos com quem compartilhar, certo?

Demorei pra ler o último livro. Confesso que não queria ver o final da história. Não queria que fosse bom, que fosse ruim... No final, eu vi que era necessário terminar de ler, porque tudo na vida tem um final - inclusive a própria vida - e que, apesar de tudo, pode ser um final feliz.

Eu tive um Severo Snape, era minha professora Regiane, mãe do meu amigo Júnior. Ela pegava muito no meu pé, gritava na sala que eu era uma libertina (e eu nem sabia o que era isso), que eu deveria ter respeito por ela e pelos meus colegas ao tentar sempre impor meus argumentos... Na verdade, ela me ensinou a argumentar, antes eu queria que todo mundo pensasse como eu e no final ela me ensinou que eu tenho que ouvir os outros argumentos e mesmo que eu não concorde, tudo bem, porque a sociedade é feita de diversidade. Alguns anos depois, quando eu já não tinha contato com ela, estudei com o Júnior, ele comentou com ela que estudava comigo e ela confessou que nunca tinha tido uma aluna tão boa, que eu deveria estudar pra ser Juíza. Quisera eu ter seguido o conselho dela - já estaria formada em Direito... Mas, assim como nos livros de Harry em que ele tenta, tenta, tenta, mas não pode voltar no tempo pra salvar seus pais, agora já é tarde demais pra eu salvar uma carreira promissora - o que não me impede de pensar numa nova carreira, certo?

Rony e Hermione são meu sonho dourado. Como falei, não sei ter amigos, mas gostaria de ter por perto alguém que ouvisse tudo, que soubesse toda a verdade, que me perdoasse mesmo sabendo da quantidade de erros que eu cometi e, claro, que me salvassem de algumas encrencas. Talvez eu nunca tenha amigos assim, talvez eu tenha e não saiba ou não perceba...

A verdade é que foi bom terminar de ler o último livro, mesmo que tão tarde, porque agora, de uma vez por todas, eu aprendi que a vida é muito melhor se tivermos pra onde fugir, quem abraçar e tomarmos as decisões certas quando for a hora...

... confesso que ainda estou com medo de ir ver o último filme, eu realmente não quero que eles acabem!

Sei que o texto ficou bagunçado mas não sei escrever tudo certinho, com começo resuminho, meio explicadinho e final conclusivinho.

2 comentários:

Pollyana Nadia Costa de Moraes disse...

Ao contrário do que todo mundo pensa, é possível, sim, sobreviver sem amigos. Mas no fundo... todos somos criaturas sociais que acham que reunir pessoas e estar junto delas são experiências muito gratificantes.
Passa lá: http://umadosedepolly.blogspot.com/2009/09/para-os-meus-amigos.html

Amanda Guerra disse...

Ó eu aqui de novo!

Quis compartilhar minha hitória com o Harry Potter também... rsrsrs

Eu sempre achei que seria bobeira, nunca me interessei muito. Agora, adulta, achei que tinha que ler pra estar interada, caso algum aluno comentasse alguma coisa. Peguei o primeiro livro na biblioteca e na mesma tarde entrei no submarino e comprei a coleção completa.

Li como uma desesperada e percebi que mesmo adulta ainda tento me encontrar, ainda me vejo nas histórias.

No fundo, todos queremos a mesma coisa... uma vida melhor, que o bem vença o mal e um amor pra compartilhar tudo isso. Amigos ajudando, mudanças drásticas na realidade e vencer os próprios medos...

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