segunda-feira, 29 de novembro de 2010

O Monstro

EU não sei quando eu passei a me olhar no espelho e não me reconhecer mais. Eu não tinha ódio nenhum dentro de mim, não guardava mágoa de nada, não ficava com raiva por qualquer coisinha, eu sempre quis bancar a malvadona, mas eu sou uma manteiga derretida, uma coração mole... Mas acho que de tanto acreditar que eu não fosse tão boa assim, acho que me tornei uma pessoa amarga, fria, infeliz... Eu não queria, mas eu me tornei uma pessoa assim, uma pessoa que não fica feliz com nada, gananciosa, avarenta... Acho que de todos os pecados capitais, o único que não cometo é o Orgulho. Não me orgulho de mim, nem de nada que eu possa fazer, nem do que sou e nem do que eu posso ser e, é complicado perceber isso, sem orgulho próprio você fica sem muito amor próprio também...

Não sei quando foi a última vez que fiquei sozinha, mas de verdade, sem ninguém pra me encher o saco. Desde os meus 16 anos eu fico emendando um "amor" no outro, procurando sempre neles alguma coisa que eu não tenho... No Rafael era a verdade, no Vicente a aventura, no Alexandre era a simplicidade, no Pedro era a capacidade, no Vinicius era a força, no Leandro era o conforto, no Zé Paulo era o sossego e, agora, no "Internético" é a força de vontade. Nunca procurei amor. Nunca me deixei ser conquistada, eu sempre conquistei, ficava no pé até conseguir o que eu queria de cada um deles, sugando... Quando eu me tornei esse monstro? Quando foi que eu nem reparei? E o pior é perceber que eu fui tão infantil, otária, que eu magoei todos esses caras quando eles não me eram mais necessários, quando eles pararam de alimentar meu ego...

Eu não quero mais ser esse horror. Eu quero tentar deixar de ser monstro, de ser ruim, de guardar mágoa, de sentir ódio, de ter raiva por coisa pequena, de deixar todo mundo que está perto de mim pra baixo. Quando foi que eu passei a sentir inveja? Quando foi que eu passei a não me importar? Eu não sei dizer o ponto exato, mas eu já ferrei com muita coisa até agora, já acabei com amizades incríveis, com caras incríveis, com a minha família e com os meus amigos por coisas tão mundanas, tão pequenas, que só dizem respeito a mim e que eu coloco eles no meio.

Eu quero deixar de ser esse monstro, mas eu primeiro preciso arrebentar minhas amarras. Eu preciso ter iniciativa, preciso mudar, preciso começar tudo de novo. Eu sei que eu já perdi muito tempo, eu sei que não é a primeira vez, mas eu quero deixar de ser um monstro, pra me tornar o que eu sempre deveria ter sido: uma pessoa boa, porque, lá no fundo eu sei, que tenho muito disso dentro de mim.

Um comentário:

Pollyana Nadia Costa de Moraes disse...

Na verdade é bem simples cometer pecados como inveja, ou avareza, apenas você será afetado.
Com Luxúria e Cobiça, você afetará a si mesmo e mais uma ou duas pessoas.
Mas ira... Ira é o pior. A mãe de todos os pecados.
A ira pode te fazer passar dos limites e quando passar, você pode levar várias pessoas com você.

E na verdade todos nós temos chances de manter o equilíbrio ao nosso favor. Não importa o quanto nós tentamos, não podemos fugir das consequências, elas nos seguem até em casa.

Eu acho que nós realmente não podemos reclamar das consequências.
Não é injusto.
Não é inesperado.
Apenas, empata o placar.

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